
Sentado no alpendre da casa do avô no Alentejo, o Telmo admirava o céu polvilhado de estrelas. — Avô, até onde vai o céu? — perguntou, curioso.
O avô sorriu, olhando para todo aquele teto imenso. — Até muito, muito longe, Telmo. O que vês é um pedacinho do universo.
—E o universo é muito grande?
—É infinito, Telmo. Há galáxias tão grandes e distantes que a nossa mente mal consegue imaginar. Somos apenas como grãos de areia num deserto gigante.
O Telmo encolheu-se, surpreso com a sua própria pequenez. Percebendo a perplexidade do neto, o avô continuou, baixinho:
—Mas sabias que existe outro tipo de infinito? Um que vive mesmo aí, dentro de ti: o pequeno infinito.
O Telmo olhou para o avô, intrigado.
—Dentro de nós existem milhões de células — explicou o avô. — E dentro delas há organelos que as fazem funcionar, todos feitos de moléculas e átomos. Se espreitasses para dentro de um átomo, encontrarias eletrões a rodar à volta de um núcleo com protões e neutrões. E até estes são feitos de coisas ainda mais pequenas: os quarks. E o mais mágico, Telmo, é que entre todas estas subpartículas existe outra imensidão de espaço livre. Há todo um céu estrelado e vazio a acontecer dentro de ti agora mesmo.
O Telmo abriu muito os olhos, fascinado. Sentia-se como se fosse uma galáxia inteira em miniatura.
—Então, é como se fôssemos um universo para essas partículas?
—Exatamente — respondeu o avô, com um brilho no olhar. — E quem sabe se, lá fora, o nosso grande universo também não faz parte de um organismo ainda maior? Tudo está ligado, do mais gigante ao mais pequenino.
Naquela noite, o Telmo adormeceu a olhar para as estrelas, e sonhou com o infinito: o lá de fora e o cá de dentro.